Artigo de nosso Diretor de Projetos, Eng. Fernando Santesso
Publicado na revista Lumiere Electric 239
Se você não pode medir, então você não poderá gerenciar.” Erroneamente atribuída ao Dr. William Edwards Deming, um dos pais da área da qualidade, essa frase já foi usada muitas vezes em diversos contextos onde a gestão é essencial. Seja na área comercial, produção,manutenção, administrativo e outros, ter em mãos dados de desempenho e comportamento leva ao conhecimento mais profundo e à possibilidade de ações que aperfeiçoem técnicas e processos para se obter uma maior eficiência.
A eficiência energética em edificações certamente não foge a esse tema e à necessidade de se conhecer o comportamento e desempenho energético do edifício. Nessa conjuntura, a telemetria tem se mostrado uma ferramenta fundamental no âmbito da gestão para redução de custos e eficiência energética. A aplicação dessa ferramenta tem se tornado cada vez mais comum dentro de Sistemas de Gerenciamento Predial (BMS), sendo um grande aliado dos sistemas de Automação e Controle para aperfeiçoar aperformance energética do edifício.
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Automatizando Edificações Antigas: Retrofit com Tecnologias Wireless
Autor: Eng. Fernando Santesso, Diretor de Novos Projetos da AURESIDE
Publicado na revista Lumiere Electric, edição numero 235, novembro de 2017
Publicado na revista Lumiere Electric, edição numero 235, novembro de 2017
O que é Retrofit?
O
retrofit tem se tornado um termo cada mais comum no mercado imobiliário. O
escasso número de terrenos, principalmente em grandes centros urbanos, aliado
ao crescimento do valor do metro quadrado, tem imposto o uso de soluções para
revitalização de edificações já existentes. Essa realidade já experimentada em
outros centros urbanos do mundo vem movimentando o setor da construção civil e
imobiliário no Brasil nos últimos anos.
Como conceito,
o termo retrofit surgiu na América do Norte e Europa, e significa (em uma
tradução livre) “adaptar ou atualizar algo antigo”, ou seja, substituir
subsistemas específicos de um edifício que se tornaram obsoletos com evolução
tecnológica ou mesmo com as novas necessidades expressas por usuários.
Geralmente,
são realizadas atualizações nas instalações elétricas, hidráulicas e nos
principais equipamentos instalados na edificação. Essas melhorias, além de modernizar
a edificação, também podem contribuir para tornar o edifício ou condomínio antigo
mais atrativo no mercado em relação às novas edificações.
Dentre
essas atualizações a automação tem ganho destaque em conjunto com outros
sistemas, como por exemplo: medição de consumo, energia alternativa, segurança
e controle de acesso. Todos esses itens ajudam a dotar um maior valor econômico
à edificação e contribuem para a redução de custos de manutenção e condomínio.
Como automatizar uma edificação antiga?
Implantar
sistemas de automação em edificações antigas, no entanto, é sempre um desafio.
A infraestrutura existente, na maioria das vezes, não comporta novas
tecnologias. Logo, para que sejam atualizados os sistemas a edificação tem que
passar por um processo prévio de obras civis, o que, em muitos casos, pode ser
traumático aos usuários e donos desses imóveis.
Consequentemente,
o primeiro passo para se obter êxito em um projeto de retrofit que envolva
sistemas de automação é diagnosticar as reais condições e necessidades da
edificação e seus usuários. É fundamental, portanto, contar com a consultoria
de um profissional ou empresa especializada que aponte os itens a serem
controlados e as soluções tecnológicas para sua implementação, a fim de
facilitar todo o processo de retrofit.
Nesse
contexto, o uso de tecnologias wireless como ferramentas de simplificação do
processo de retrofit tem se tornado cada vez mais frequente. Essas soluções são
um forte aliado para mitigar as necessidades de modificações, reduzir o impacto
de intervenções e diminuir os riscos no processo de adequação e modernização de
sistemas de um imóvel antigo.
Os
dispositivos wireless para automação são elementos – controladores, atuadores,
comandos e sensores - que utilizam o ar com meio de transmissão de informações,
diferente dos sistemas de automação cabeado que trafegam seus dados através de
cabos e assim demandam alterações mais profundas na infraestrutura da
edificação.
Essas
transmissões são feitas por ondas eletromagnéticas (Rádio Frequência – RF) e
seu alcance depende das características do ambiente (barreiras,
condicionamento, interferências e outros fatores) e da tecnologia envolvida.
Atualmente
existem diversos padrões de comunicação sem fio, sendo alguns deles
proprietários (não permitem a interoperabilidade de dispositivos) e outros abertos.
Destacam-se no seguimento de automação de edificações os seguintes padrões de
comunicação sem fio:
·
Wi-Fi: Sistemas que utilizam os diferentes protocolos IEEE
de Ethernet convencional para fazer a comunicação dos dispositivos. São
facilmente reconhecidos em dispositivos como access points e roteadores que
propagam a internet dentro das edificações. Contudo, o número de dispositivos
que se conectam a rede wi-fi tem crescido, sendo um dos grandes expoentes desse
crescimento as câmeras IP (Internet Protocol). Além disso, outros dispositivos
como sensores, atuadores e lâmpadas tem utilizado o padrão wi-fi para se
comunicar.
·
Bluetooth: Padrão desenvolvido para a comunicação de curto
alcance entre dispositivos e com baixo consumo de energia. No mercado de
automação essa tecnologia é encontrada, principalmente, em dispositivos de
controle de acesso para aplicação residencial.
·
ZigBee: Tecnologia wireless de comunicação desenvolvida para
ter baixo consumo, baixo custo, segurança e confiabilidade. Encontrada em
aplicações prediais, industriais e comerciais. Conta com uma ampla gama de
dispositivos como atuadores, medidores, comandos, sensores, emissores e outros.
·
Zwave: Assim como o ZigBee o padrão Zwave apresenta baixo
consumo e custo, além de segurança, confiabilidade e interoperabilidade de
dispositivos. Também conta com um amplo espectro de produtos, porém a
tecnologia nasceu e tem sua maior força em aplicações de automação residencial.
·
Padrões Proprietários: Contam uma gama variada de
dispositivos para automação, porém, por terem um protocolo fechado, não
permitem a comunicação com dispositivos de outros fabricantes.
Dada a
variedade de tecnologias presentes no mercado, nota-se que diferentemente do
que se tem propagado no mercado de tecnologia e automação, os sistemas wireless
necessitam de um projeto cuidadoso para que possa funcionar corretamente,
permitindo a comunicação, controle e gestão dos sistemas.
O que pode ser controlado com tecnologias wireless em uma
edificação?
Potencialmente,
todos os sistemas existentes em uma edificação podem ser controlados com os
dispositivos de tecnologia wireless.
A
diversidade de dispositivos wireless encontrados no mercado atual colaboram
para que o processo de retrofit de sistemas com automação seja cada vez mais
abrangente e dinâmico. É possível controlar, medir e gerir dados de sistemas
hidráulicos, elétricos, iluminação, climatização, entretenimento e até mesmo
segurança e controle de acesso com tecnologias wireless.
Evidentemente,
quanto maior é a criticidade de um sistema dentro de uma edificação, maior deve
ser o cuidado no uso de sistemas totalmente wireless. Por esse motivo, vale
ressaltar mais uma vez a importância de uma análise crítica, técnica e
imparcial para a tomada de decisão pelo uso de tecnologia wireless.
Respeitada
essa condição, os dispositivos wireless são um instrumento poderoso e devem ser
usados para transformar instalações obsoletas de prédios antigos em instalações
modernas e eficientes, proporcionando agilidade no processo de retrofit.
Um beneficio para todos
Este artigo, de autoria do Diretor Tecnico da AURESIDE, George Wootton, mostra os beneficios da implantação de sistemas de automação nas áreas comuns de condominios
ARTIGO: Um benefício para todos
Quando um edifício adota a automação predial, todos os condôminos saem ganhando.
O artigo foi publicado na edição 149 da revista Audio & Video Design e pode ser visualizado clicando neste link
ARTIGO: Um benefício para todos
Quando um edifício adota a automação predial, todos os condôminos saem ganhando.
O artigo foi publicado na edição 149 da revista Audio & Video Design e pode ser visualizado clicando neste link
Automação Predial se torna cada dia mais viável
(Fonte: IoT For All)
Os maiores edifícios do mundo já contemplam tecnologias inteligentes há anos. Soluções oriundas de líderes do mercado como Honeywell, JCI e Schneider. Mas esses edifícios representam apenas 10% do mercado imobiliário comercial mundial. Então, como ficam os outros 90%?
Até recentemente, a tecnologia de BMS (Building Managemente System) que monitora e controla sistemas de climatização (HVAC), iluminação, energia e sistemas relacionados não tem sido utilizada em edifícios de menor porte. As tecnologias tradicionais de gerenciamento de edifícios geralmente têm um custo relativamente alto, portanto, pode levar anos obter um retorno positivo do investimento (ROI) em pequenos e médios edifícios. Não é de admirar que quase 90% dos edifícios contenham pouca ou nenhuma tecnologia inteligente! Eles ainda estão procurando por onde começar...
Felizmente, duas tecnologias-chave estão mudando a equação:
1. A internet das coisas encontrando seu lugar
Novas soluções de construção inteligente chegaram sob a forma de sensores, switches e gateways de Internet das Coisas (IoT) de baixo custo e fácil de instalar. Esses dispositivos IoT superam as barreiras de capital que limitam os sistemas tradicionais de gerenciamento de edifícios (BMS). Pela primeira vez, esses novos produtos podem ser implantados de forma econômica por pessoal não especializado em edifícios existentes. Eles são acoplados a aplicativos para análise e visualização. Eles coletam dados críticos e aumentam o alcance dos sistemas BMS existentes. Eles podem até mesmo fornecer funções BMS de nível de entrada para aplicações convencionais em edifícios de menor porte.
É claro que a maioria dessas novas soluções IoT de construção inteligente não são BMS completas no sentido tradicional e com grande quantidade de equipamento. Mas muitos podem dar conta de processos de usos específicos, como gerenciamento de energia, controle a distancia, alertas, sub-medição por usuários ou controle de termostato. Eles não empregam loops PID (proportional–integral–derivative), mas eles são acessíveis e funcionais o suficiente para fornecer um ROI alto para edifícios intermediários.
2. Existe uma arma secreta na nuvem
O segundo avanço que impulsiona a revolução da tecnologia de construção inteligente é sua arma secreta: ele alavanca a nuvem. A nuvem é um transformador do setor. Está democratizando o mundo dos dados e serviços. As plataformas e ferramentas abertas, baseadas em nuvem permitem que mais desenvolvedores ofereçam aplicativos mais inovadores de forma rápida e econômica. Utilizando a nuvem a obtenção de dados, sua análise e visualização estão mudando as diversas indústrias, deste a área financeira , passando por cuidados de saúde e até viagens.
A indústria de controles de construção também não ficou imune a esta revolução. Agora, os "grandes dados" gerados pela nova onda de dispositivos IoT embarcados podem ser reunidos em serviços de gerenciamento e análise baseados na nuvem, em redes existentes. Isso permite que dispositivos remotos sejam facilmente monitorados e controlados por gerentes de instalações via smartphones e tablets.
As coisas estão mudando...
Com os novos players reduzindo os custos e proporcionando mais capacidade, a tecnologia de construção inteligente agora é atraente e acessível para os outros 90% do mercado. Exemplos incluem:
Observe o que mais está mudando: a nova onda de soluções de gerenciamento de construção é amplamente apoiada por pessoas de fora. Estas são empresas de tecnologia globais e altamente influentes, incluindo Intel, Microsoft, Dell e Amazon. Eles podem não ter antecedentes na construção de controles, mas eles são especialistas em TI, nuvem, segurança e tecnologia embutida. E eles estão se movendo rapidamente, fazendo parcerias onde for necessário para construir a profundidade que precisam em aplicativos de construção inteligente.
Não esqueça que essas empresas também possuem grandes canais de vendas e distribuição. Eles estão direcionando ativamente os mercados de IOT que mostram oportunidades significativas. Uma vez que os serviços da IoT e da nuvem estão mudando as soluções de controle de construção das tecnologias operacionais (OT) para a tecnologia da informação (TI), é importante entender que as novas soluções suportadas por esses poderosos jogadores não só envolverão os conhecimentos, mas também podem ter maior credibilidade com departamentos de TI dos clientes.
A indústria de controles de construção está madura para a esta disrupção. Os integradores de sistemas e os revendedores de valor agregado que visam edifícios inteligentes de menor porte estão preparados para tirar proveito desta enorme e nova oportunidade.
Os maiores edifícios do mundo já contemplam tecnologias inteligentes há anos. Soluções oriundas de líderes do mercado como Honeywell, JCI e Schneider. Mas esses edifícios representam apenas 10% do mercado imobiliário comercial mundial. Então, como ficam os outros 90%?
Até recentemente, a tecnologia de BMS (Building Managemente System) que monitora e controla sistemas de climatização (HVAC), iluminação, energia e sistemas relacionados não tem sido utilizada em edifícios de menor porte. As tecnologias tradicionais de gerenciamento de edifícios geralmente têm um custo relativamente alto, portanto, pode levar anos obter um retorno positivo do investimento (ROI) em pequenos e médios edifícios. Não é de admirar que quase 90% dos edifícios contenham pouca ou nenhuma tecnologia inteligente! Eles ainda estão procurando por onde começar...
Felizmente, duas tecnologias-chave estão mudando a equação:
1. A internet das coisas encontrando seu lugar
Novas soluções de construção inteligente chegaram sob a forma de sensores, switches e gateways de Internet das Coisas (IoT) de baixo custo e fácil de instalar. Esses dispositivos IoT superam as barreiras de capital que limitam os sistemas tradicionais de gerenciamento de edifícios (BMS). Pela primeira vez, esses novos produtos podem ser implantados de forma econômica por pessoal não especializado em edifícios existentes. Eles são acoplados a aplicativos para análise e visualização. Eles coletam dados críticos e aumentam o alcance dos sistemas BMS existentes. Eles podem até mesmo fornecer funções BMS de nível de entrada para aplicações convencionais em edifícios de menor porte.
É claro que a maioria dessas novas soluções IoT de construção inteligente não são BMS completas no sentido tradicional e com grande quantidade de equipamento. Mas muitos podem dar conta de processos de usos específicos, como gerenciamento de energia, controle a distancia, alertas, sub-medição por usuários ou controle de termostato. Eles não empregam loops PID (proportional–integral–derivative), mas eles são acessíveis e funcionais o suficiente para fornecer um ROI alto para edifícios intermediários.
2. Existe uma arma secreta na nuvem
O segundo avanço que impulsiona a revolução da tecnologia de construção inteligente é sua arma secreta: ele alavanca a nuvem. A nuvem é um transformador do setor. Está democratizando o mundo dos dados e serviços. As plataformas e ferramentas abertas, baseadas em nuvem permitem que mais desenvolvedores ofereçam aplicativos mais inovadores de forma rápida e econômica. Utilizando a nuvem a obtenção de dados, sua análise e visualização estão mudando as diversas indústrias, deste a área financeira , passando por cuidados de saúde e até viagens.
A indústria de controles de construção também não ficou imune a esta revolução. Agora, os "grandes dados" gerados pela nova onda de dispositivos IoT embarcados podem ser reunidos em serviços de gerenciamento e análise baseados na nuvem, em redes existentes. Isso permite que dispositivos remotos sejam facilmente monitorados e controlados por gerentes de instalações via smartphones e tablets.
As coisas estão mudando...
Com os novos players reduzindo os custos e proporcionando mais capacidade, a tecnologia de construção inteligente agora é atraente e acessível para os outros 90% do mercado. Exemplos incluem:
- Plataforma de Gerenciamento de Edifícios da Intel em gateways líderes do setor que estão disponíveis fora da prateleira;
- Google e Microsoft fornecem dados IoT normalizados para milhares de desenvolvedores de aplicativos através do Google Cloud IoT Core e Azure IoT Suite;
- Lucid, Altair, Losant, Leverege e outros fornecem aplicativos de construção inteligente com base em nuvem e plataformas de ativação de inicialização rápida que criam valor a partir de dados IoT e hardware de baixo custo;
- Mesmo alguns dos líderes de controle de construção de hoje como Schneider, KMC e Tridium estão adicionando recursos de nuvem aos seus sistemas
Observe o que mais está mudando: a nova onda de soluções de gerenciamento de construção é amplamente apoiada por pessoas de fora. Estas são empresas de tecnologia globais e altamente influentes, incluindo Intel, Microsoft, Dell e Amazon. Eles podem não ter antecedentes na construção de controles, mas eles são especialistas em TI, nuvem, segurança e tecnologia embutida. E eles estão se movendo rapidamente, fazendo parcerias onde for necessário para construir a profundidade que precisam em aplicativos de construção inteligente.Não esqueça que essas empresas também possuem grandes canais de vendas e distribuição. Eles estão direcionando ativamente os mercados de IOT que mostram oportunidades significativas. Uma vez que os serviços da IoT e da nuvem estão mudando as soluções de controle de construção das tecnologias operacionais (OT) para a tecnologia da informação (TI), é importante entender que as novas soluções suportadas por esses poderosos jogadores não só envolverão os conhecimentos, mas também podem ter maior credibilidade com departamentos de TI dos clientes.
A indústria de controles de construção está madura para a esta disrupção. Os integradores de sistemas e os revendedores de valor agregado que visam edifícios inteligentes de menor porte estão preparados para tirar proveito desta enorme e nova oportunidade.
Impacto de sistemas de automação na performance energética predial
Artigo publicado na revista Lumiere Electric ed. 231 - julho de 2017
Autor: Eng. Fernando Santesso - Diretor de Projetos da AURESIDE
O Brasil
O uso
total de energia no Brasil cresceu cerca de 250% nos últimos 40 anos,
decorrente em parte por uma rápida industrialização do país, mas também pela
crescente demanda residencial e comercial por energia. Logo, as edificações
ganharam um destaque importante como consumidores de energia no país.
Apenas
para se ter uma ideia, dados do Ministério de Minas e Energia apontam que em
2015, 40% de toda a energia elétrica gerada foi consumido por edificações. O
setor residencial, por exemplo, teve uma participação da ordem 27% no aumento
do consumo de energia nos períodos entre de 2013 para 2014.
Entretanto,
o aumento da demanda por energia não foi acompanhado pelo aumento da oferta e
como se sabe, em 2001, o país enfrentou sua principal crise energética, causada
por reduções de investimento, crescimento do consumo e escassez de chuvas.
A
crise enfrentada trouxe à tona a necessidade da busca por eficiência energética
tanto por questões econômicas e estratégicas, como por questões ambientais.
Assim,
algumas ações foram tomadas a fim de conscientizar a população sobre os
benefícios da utilização eficiente dos recursos energéticos, além de programas
e políticas de conservação e uso racional de energia.
Um bom
exemplo dessas ações é desenvolvimento o Programa Nacional de Eficiência
Energética em Edificações (PROCEL EDIFICA), que promove o uso racional de
energia elétrica em edificações para redução de impactos ambientais e
desperdícios.
Contudo,
assim como outros selos e certificações existentes, a avaliação das edificações
tem o enfoque principal nos aspectos de eficiência em: envoltória, iluminação,
condicionamento de ar e aquecimento de água. Não deixando claro o impacto do
uso de sistemas de automação para contribuir com a eficiência energética e
abrindo espaço para alguns questionamentos:
1. Os
sistemas de automação contribuem com a eficiência energética predial?
2. Se
contribuem, qual o efetivo ganho de performance que esses sistemas podem
oferecer?
A Europa
Para
responder aos questionamentos acima, é necessário entender o processo que levou
a Europa a ser uma das sociedades mais avançada na aplicação de sistemas de
controle e automação para eficiência energética.
Uma
das preocupações centrais de toda a comunidade europeia sempre foi a escassez
de fontes de energia. E no início dos anos 2000 o cenário que se apresentava
não era nada promissor, apontando que os Estado-Membros da União Europeia enfrentariam
grandes desafios, tais como:
·
Dependência de recursos para geração de energia proveniente
de outros países, que aumentaria 70% em 10 anos;
·
Aumento das emissões de gás CO2 na atmosfera devido ao
processo de geração e consumo de energia;
·
O custo de energia cresceria em um curto espaço de tempo afetando
diretamente a competitividade da economia europeia.
Além
do que, a capacidade de reservas de petróleo no mundo é finita e a oferta não é
segura, por consequência o aumento de preços é inevitável.
Dessa
maneira a União Europeia precisava promover políticas voltadas à eficiência
energética em especial no desempenho energético dos edifícios dos
Estados-Membros.
Foram
concebidas, assim, diretivas de desempenho da construção para todos os Estados-Membros
da União Europeia. Essas diretivas incentivam a utilização de sistemas de
controle ativo e de sistemas de medição inteligentes para fins de poupança de
energia, explicitando à automação como uma ferramenta para alcançar tal
objetivo.
No
entanto, inicialmente, cada Estado definiria metodologias para o cálculo do
desempenho energético dos edifícios com base num quadro geral.
Porém,
em 2007, como fruto de um esforço conjunto da comunidade europeia foi publicado
a primeira versão da norma europeia EN 15232 Performance Energética de
Edificações – Impacto da Automação Predial, Controles e Gerenciamento Predial.
Essa
norma estabelece parâmetros de comparação e potencial economia de energia com a
utilização de sistemas de automação, controle e gestão em edificações, tornando-se
uma referência importante para o estudo do impacto de economia com a
implantação de sistemas de automação para a performance energética.
A Norma EN 15232
Funções
importantes para a eficiência energia dos sistemas automação e gestão predial
são o foco da norma EN 15232, que tem como principal objetivo estabelecer a
performance produzida pelos sistemas de controle e gestão dos edifícios de
forma a otimizar a eficiência energética dos mesmos.
A
norma estabelece maneiras para estimar os ganhos potenciais em energia elétrica
e térmica por tipo de edificação definindo basicamente dois métodos de
estimativa do impacto de sistemas de automação, gestão na eficiência energética
dos edifícios.
O
primeiro método é chamado de Método
Detalhado e pode ser usado em conjunto com a avaliação energética dos
edifícios, porém é trabalhoso e faz referência a uma série de outras normas que
foram criadas para calcular a eficiência energética de diversos sistemas: instalações, aquecimento, arrefecimento, ventilação,
iluminação e outros.
O
segundo método especificado pela norma EN 15232 é o Método Simplificado que determina as chamadas classes de eficiência
da edificação através níveis de BACS (Sistemas de Automação e Controle) nela
embarcados.
Estas
classes definem as funções que têm impacto sobre a eficiência energética dos
edifícios e vão de classe A, que oferece o maior nível de controle, integração
e ganho energético à classe D, que não oferece qualquer sistema de controle e
tão pouco performance energética.
Na
verdade, a norma estabelece como parâmetro as edificações classe C, ou seja,
edificações que possuem um grau mínimo de controle e recebem por isso o fator 1
de eficiência.
As
classes estabelecidas pelo Método
Simplificado oferecem de maneira simples um panorama do potencial de
economia de energia que uma edificação pode ter ao usar sistemas de automação,
controle e gestão, como pode ser visto na Tabela 1.
Tabela
1 – Exemplo de Tabela de Classes com Fator de Eficiência por tipo de Edificação.
Fonte:
Adaptado de ABB
Através
do Método Simplificado, por exemplo, um
projetista pode estimar que ao fazer um escritório enquadrado na classe B de
classificação ele terá um potencial de redução de energia elétrica da ordem de
7% através do uso de Sistemas de Automação e Controle.
A
ferramenta do Método Simplificado
oferecida pela norma EN 15232, demonstra de maneira direta, embora estimada, a
performance energética de uma edificação pelo uso de sistema de automação
(BACS), além de oferecer um panorama de quais funções de automação contribuem efetivamente
para o ganho em performance energética.
Automação e Performance energética
A
norma responde, portanto, aos questionamentos feitos anteriormente e afirma que
os Sistema de Automação e Controle de Edifícios (BACS) e a Gestão Técnica de
Edifícios (TBM) têm impacto na construção de desempenho energético em muitos
aspectos.
O BACS
fornece automatização e controle eficaz sobre diversos sistemas de uma
edificação, o que leva a aumentar a sua eficiência operacional e energética.
É
evidente, que não se pode desprezar o fato de que a evolução e aplicação de
sistemas como a iluminação com tecnologia LED e os sistemas de climatização
mais eficiente já representam um ganho considerável na economia de energia e têm
contribuído para a melhoria na relação de consumo nos edifícios.
Todavia,
a necessidade de um sistema de automação integrado para performance energética ainda
é subestimada frente ao grande potencial de ganho oferecido. A maioria dos
estudos realizados no Brasil pouco apontam para o potencial de utilização de
sistemas de controle e gestão em edificações com a finalidade de poupança
energética.
A
experiência europeia, no entanto, demonstra que há efetivo valor nos sistemas
de automação para eficiência energética.
Desde
que bem projetado, a incorporação dos sistemas de automação nas construções brasileiras
é uma poderosa ferramenta no combate ao desperdício de energia e oferece uma oportunidade
de reduzir a necessidade iminente de investimentos em geração, transmissão e
distribuição, além de contribuir para economia do país e meio ambiente.
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